Que bom estar aqui



Que bom estar aqui
Envolto em véu de estrelas
O céu parece tê-las
Para ti
Encontra o universo
Perdido em teu país
Procura neste verso
Estar um pouco mais feliz
O universo é só e um só
Todos os cantos tua voz
Todas histórias tua história
Todos os tempos tua memória
Além do início e do fim
Em teu mistério descoberto
O anjo branco aqui te quis
Pra te sentir mais perto e te sentir
Um pouco mais feliz
Que bom estar aqui

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O Amor quando se revela

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“O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…”

Fernando Pessoa

Estar feliz

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Estar feliz é tudo
A vida não tem graça sem felicidade
O mundo fica escuro e vazio
Os dias aborrecidos e longos
As pessoas frias e distantes.

Mas se a gente está feliz
nem as dificuldades parecem tão difíceis
pois o mundo é mais estrada do que prisão
e viver é sempre uma experiência agradável
mesmo quando a experiência
não é das mais agradáveis

Estar feliz é tudo e não custa nada.
O que custa é viver infeliz
por coisas que não valem nada.

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Menina

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“A menina translúcida passa.
Vê-se a luz do sol dentro dos seus dedos.
Brilha em sua narina o coral do dia.

Leva o arco-íris em cada fio do cabelo.
Em sua pele, madrepérolas hesitantes
pintam leves alvoradas de neblina.

Evaporam-se-lhe os vestidos, na paisagem.
É apenas o vento que vai levando o seu corpo pelas alamedas.
A cada passo, uma flor, a cada movimento, um pássaro.

E quando pára na ponte, as águas todas vão correndo,
em verdes lágrimas para dentro dos seus olhos.”

Cecília Meireles

Feliz dia da Mulher ;)

desassossego

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A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver. Somos contentes porque até ao pensar e ao sentir, somos capazes de não acreditar na existência da alma. No baile de máscaras que vivemos, basta-nos o agrado do traje, que no baile é tudo. Somos servos das luzes e das cores, vamos na dança como na verdade, nem há para nós – salvo se, desertos, não dançamos – conhecimento do grande frio do alto da noite externa, do corpo mortal por baixo dos trapos que lhe sobrevivem, de tudo quanto, a sós, julgamos que é essencialmente nós, mas afinal não é senão a paródia íntima da verdade do que nos supomos. Se alguma coisa há que esta vida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses, é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhercermos a nós mesmos e de nos desconhecermos uns aos outros. A alma humana é um abismo obscuro e viscoso, um poço que se não usa na superfície do mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e assim, não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual, morreríamos na alma de anemia. Ninguém conhece outro, e ainda bem que o não conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda que mãe, mulher ou filho, o íntimo, metafísico inimigo.